Templos budistas em Pequim

Os 2 principais expoentes arquitectónicos da capital chinesa relacionadas com a prática da religião budista/confucionista são 2 conjuntos de templos que nós visitámos aquando da nossa estadia em Pequim.
O templo dos lamas, convertido em 1744 num complexo budista tibetano após ter servido como residência de um imperador, tornou-se ao longo dos tempos o templo mais importante fora do Tibete. A sua disposição tem por base um eixo central de pavilhões e pátios intercalados, que é rodeado por um conjunto de pavilhões secundários, completando a forma de um rectângulo. Nos pátios, os crentes acendem paus de incenso que ardem em frente aos pavilhões, dentro dos quais abundam estátuas de Budas do passado, presente e futuro, de Bodhisatvas e dos 18 discípulos mais importantes de Sakyamuni (arhats).
A riqueza da madeira trabalhada, especialmente dos telhados, as numerosas obras de arte em exposição em pavilhões secundários e o ambiente geral que se vive dentro do templo, são mais do que razões suficientes a justificarem uma visita. A "cereja no topo do bolo" é uma estátua de Maitreya, de 17m de altura, esculpida num único bloco de sândalo!
Este templo é, no entanto, uma contradição da China moderna, país que invadiu o Tibete em 1959, seguindo-se um processo violento de anexação aculturação em que templos foram destruídos, monges perseguidos e mortos e obras de arte pilhadas. Tenho assim a sensação que este local é agora uma espécie de memorial a uma realidade que já não existe fora destas paredes.
O outro templo que visitámos foi o templo do Céu, na realidade um enorme complexo de templos enquadrado num belo parque verde. Era neste local que o imperador oferecia sacrifícios e orava aos céus e aos seus antepassados em determinadas datas (por exemplo, nos solstícios), intercedendo pelo seu povo, pedindo benesses aos deuses e rezando por boas colheitas.
As principais atracções do templo estão ligadas por um eixo norte-sul, destacando-se o salão de oração e o altar circular. O primeiro, edificado em 1420 e totalmente construído em madeira (mas sem um único prego!), é uma obra-prima arquitectónica e belíssima nos seus detalhes, dos quais se destacam os telhados azuis em patamares, as paredes pintadas de vermelho com motivos exteriores de dragões e fénixes e no interior (infelizmente vedado ao público) os pilares ornamentados e o tecto esmaltado. Um requinte!

O altar circular era o local dos sacrifícios executados pelo imperador em pessoa, situa-se no cimo de 3 plataformas em mármore que formam um círculo de 90m de diâmetro e 6m de altura e no chão é feito de círculos de lajes de pedra dispostas em múltiplos de nove.
Este complexo faz realmente juz à sua fama de símbolo da arquitectura chinesa antiga. Mais uma vez, foi pena que o local, apesar de enorme, estivesse empacotado de turistas chineses!

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