Chengde



A região montanhosa de Chengde foi escolhida em 1703 como local da construção de um refúgio imperial dos verões tórridos da Cidade Proibida e é possível, com um pouco de esforço, fazer aí uma visita de um dia (quase 24h!) a partir de Pequim.

Já em Chengde, resolvemos continuar a usar a bicicleta como meio de transporte ideal para visitar, de uma forma independente, os locais que nos interessavam. Neste caso, os principais pontos de interesse eram o parque imperial, rodeado de uma muralha com mais de 10 km de extensão, com palácios, jardins e lagos, assim como os templos exteriores à muralha. O parque, que visitámos de tarde, acabou por não surpreender pois é muito no estilo de outros parques imperiais que tinhamos visto em Pequim. O que valeu realmente a pena foi o que vimos de manhã.

Os templos exteriores foram sendo construídos ao longo dos tempos como forma de receber (e impressionar) convidados do imperador que visitavam a cidade. Vimos por fora um templo mandado construir aquando da visita do Panchen Lama em 1780 (por ocasião do aniversário do imperador) e seguimos para o maior dos templos exteriores, construído à semelhança do palácio de Potala, em Lhasa (no Tibete), disposto numa encosta inclinada e cujo interior tinha exposições de objectos religiosos tibetanos, onde se podem admirar maravilhosos pavilhões trabalhados em madeira. Mais uma vez, fica-se com a sensação que, mais do que um templo (que na realidade já não o é), é um museu sobre uma cultura e religião que se está a perder irremediavelmente e que só sobreviverá em monumentos e objectos, mas não em pessoas. É de referir, no entanto, os numerosos crentes que visitavam o templo e prestavam o seu trributo aos deuses representados.

A seguir, visitámos o chamado templo de Puning, o único templo activo em Chengde, mandado construir em 1755 como comemoração da derrota de rebeldes mongóis. Na realidade, é uma espécie de mini-cidade, com muralha defensiva, edifícios, stupas e uma série de pavilhões ao longo da encosta, dos quais se destaca o salão mahayana, onde se encontra uma colossal estátua da deusa da compaixão, Kuanyin, feita com 5 tipos de madeira e com 22m de altura, sendo a maior do mundo do seu tipo. É possível subir à primeira galeria e observar mais de perto esta obra impressionante. Se o objectivo dos construtores era demonstrar a pequenez do homem em relação aos deuses, conseguiram!
Ainda haviam outros templos para visitar, mas já não tinhamos tempo. Além da beleza dos templos, fomos agraciados por um tempo solarengo e céu azul (em contraste absoluto com o tempo em Pequim) para além de que, em comparação com o número de turistas nas atracções da capital, esta visita foi praticamente uma experiência solitária, o que não deixa de ser revigorante e nos permitiu apreciar melhor o ambiente dos locais visitados.

No regresso estava-nos reservado o menos agradável do dia: a viagem de regresso de comboio até Pequim. (ver "De comboio na China")

Etiquetas: