Budismo na China

O fundador do budismo foi um príncipe chamado Sidharta Gautama, nascido na Índia no séc. VI a.C. (na realidade numa aldeia que agora pertence ao Nepal). Nascida no seio do Hinduísmo, e aproveitando as ideias de karma e reencarnação, esta religião destacou-se pelo seu combate à rigidez social imposta pelo sistema de castas. A ideia nova era que qualquer pessoa, independentemente da sua origem social, poderia, com base no seu mérito, esforço e sacrifício, comungar com Buda, o desperto, num estado de iluminação espiritual (nirvana) e libertar-se de todo o sofrimento que a existência humana acarreta.
Ao longo da sua história e expansão, o budismo foi ramificando-se em diferentes escolas, com filosofias e métodos característicos (embora tendo todas as mesmas bases essenciais). Quando as ideias budistas começaram a entrar na China, por volta dos séc. I e II d.C., através do movimento de pessoas pela rota da seda e das peregrinações de monges, a filosofia predominante era a da escola Mahayana ("o grande veículo") que se baseava na figura do bodhisatva, um mestre que, em condições de se libertar para sempre da roda dos renascimentos, decide, por compaixão pela Humanidade, permanecer na Terra para ajudar outros a despertarem.
Ao longo da história da China, o budismo foi tendo altos e baixos, sendo sucessivamente perseguido implacavelmente ou elevado a religião oficial do estado, conforme as circunstâncias sociais e políticas.
É apenas no séc. VII d.C. que o budismo entra no Tibete, terreno difícil e remoto, misturando-se com as religiões tribais pela mão do mestre Padmasambhava e dando origem a uma escola diferente, mais ritualizada e esotérica, o Vajrayana (o "veículo de diamante"). Será daqui que partirá a expansão posterior para as estepes da Mongólia e actual norte da China.
No séc. XX todas as religiões passaram um mau bocado com a subida ao poder do partido comunista em 1949 e posteriores perseguições, mortes e destruição de templos. Com a morte de Mao Tse-Tung, em 1976, a liberdade de expressão religiosa foi aumentando progressivamente, ainda que sempre sob o controlo burocrático do estado. Actualmente, tal como ao longo de 2000 anos, poder-se-á dizer que o budismo forma novamente o núcleo central da expressão religiosa na China, juntamente com os preceitos morais e práticos do confucionismo e o culto dos antepassados. Vivendo muito à sombra das suas glórias passadas, mas também sabendo adaptar-se aos tempos modernos, com certeza que esta religião passará mais este teste do tempo e continuará a fazer parte da história deste grande país nos próximos séculos.

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