Budismo na Mongolia


Cerca de 80% dos 2,7 milhoes de mongolianos sao crentes budistas e a historia deste pais esta intimamente ligada com a expansao desta religiao neste territorio. Curiosamente, esta foi feita a partir do Tibete e nao a partir da China. Foi ja no seculo XVI que um imperador Mongol, descendente de Ghenjis Khan (que tinha sido o primeiro a dar liberdade religiosa aos seus subditos, tendo na sua corte representantes de varias religioes), foi convertido ao budismo por um monge (lama) tibetano e o consagrou com o titulo de "Dalai" (palavra mongol que significa oceano, dai a designacao de oceano de sabedoria associada ao Dalai Lama). Aos dois antecessores (espirituais, entenda-se) deste monge foram-lhes atribuidos (postumamente) os titulos de primeiro e segundo dalai lama, continuando esta designacao ate aos nossos dias, sendo que o actual Dalai Lama (o decimo quarto) vive exilado na India desde a invasao do Tibete pelos chineses em 1959. A linhagem espiritual mais importante do Tibete teve assim origem na Mongolia!


Por sua vez, a linhagem espiritual mais importante da Mongolia (de nome Bogd Gegen) teve inicio quando, em 1546, uma crianca de cinco anos, nascida na Mongolia, foi reconhecida como sendo a reencarnacao de um santo. Essa crianca viajou para o Tibete, onde foi ensinada pelos melhores mestres, tendo regressado mais tarde ao seu pais para expandir o Budismo. Este primeiro Bogd Gegen, de nome Zanazabar, foi um mestre na arte da escultura em bronze e pintura, sendo que algumas das suas obras estao em exposicao em museus de Ulaan Baatar. Esta linhagem acabou quando, nos tempos turbulentos que se seguiram a revolucao bolchevique, a Mongolia passou a ser controlada pela Russia, sendo que o ultimo chefe espiritual e politico (Bogd Khan) morreu em 1924. Nos anos trinta, durante as purgas de Estaline, o Budismo na Mongolia sofreu o seu mais rude golpe, quando foram sistematicamente destruidos quase todos os mosteiros do pais, sendo os monges mortos ou enviados para a Siberia. So apos a desagregacao da URSS, e subsequentes eleicoes livres na Mongolia, e que foi possivel a reconstrucao de alguns mosteiros com monges residentes, processo que continua ainda hoje.
Visitamos, em Ulaan Baatar, dois complexos de mosteiros bastantes diferentes. O primeiro (fundado em 1838 e fortemente destruido em 1937), de nome Gandan Khiid, e o mais importante do pais e consiste em mosteiros reconstruidos a partir de meados dos anos noventa. Tem uma populacao residente de mais de 600 monges e e possivel aos visitantes assistirem as cerimonias matinais, Nao era possivel tirar fotos dentro dos templos mas a Carla la arranjou maneira de tirar uma!


Um complexo bem diferente e o Templo Choijin Lama, onde residia o irmao do Bogd Khan, o oraculo oficial do reino. Este complexo, actualmente rodeado de arranha-ceus em construcao, foi dos poucos a sobreviver a destruicao imposta por Estaline, apenas porque os sovieticos o transformaram num museu para mostrar como funcionava um sistema social retrogado! Ainda bem que o fizeram pois assim temos a possibilidade de ter um vislumbre da riqueza cultural deste povo.
Fora da capital, visitamos o que resta de um complexo de mosteiros cuja origem remonta aos tempos da criacao da historica capital do imperio mongol, Karakorum, no seculo XIII. O estatuto desta cidade durou apenas 40 anos, pois a capital foi mudada para a localizacao da actual Pequim, e o complexo religioso foi destruido (juntamente com a cidade) um seculo mais tarde. Refundado em 1586 com o nome de Erdene Zuu (100 tesouros), foi o primeiro complexo de mosteiros budistas da Mongolia estimando-se que, no seu auge, tivesse cerca de 100 mosteiros e mais de 1000 monges. Em 1937, apenas 3 mosteiros e as paredes do complexo sobreviveram a destruicao sovietica. O complexo so voltou a ser a ser reactivado como local de peregrinacao em 1990 e hoje e tambem um destino turistico, sendo a sua imagem de marca as paredes encimadas por 108 stupas budistas.

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