Владимир - Vladimir

Aprender Russo num rotulo de cerveja!

Este foi o momento alto de uma noite a bordo do comboio 131 de San Petersburgo com destino a Vladimir. A nossa primeira etapa do comboio transmongol veio-se a revelar um dos momentos altos desta viagem.
Saimos de San Petersburgo, da Moskba Vozhal, numa carruagem de segunda classe, em compartimentos separados, em camas laterais. Na nossa carruagem viaja um grupo de jovens bem dispostos. As raparigas metem conversa. Afinal, o mundo e mesmo pequeno! Sao estudantes de Geografia, da Universidade de Izhevsk. Vieram a um Festival de Geografia. Na prova de futebol ficaram em primeiro lugar (mostram-nos a taca com orgulho) - sao os melhores jogadores de futebol das universidades russas; na prova de cultura geral ficaram em setimo (menos bom mas nos dois ultimos anos tinham ficado em primeiro). Felicitamo-los. Ficam contentes. Poucos falam ingles mas a conversa fica animada. O pessoal bebe... ha que combater este inverno russo! Decido aprender russo. Com o rotulo de uma garrafa de cerveja comeco aprender a sonoridade desta letras (incompreensiveis) do alfabeto cirilico. Rimos muito. Aprendi alguma coisa. O grupo e constituido por vinte elementos e eles vao rodando para conversar connosco. Falamos de viagens, politica, da Russia e da Europa. O pessoal e muito divertido, simpatico e, como russos que se prezem, alcoolicamente alegres. Foi um serao muito bem passado e que marcou em beleza o nosso baptismo nos comboios russos.
Quando se apagaram as luzes deitamo-nos. Olho pela janela. Nao quero acreditar. Atravessamos a Russia coberta de neve e gelo, iluminada pelo luar. Os bosques gelados passam, na janela, a minha frente e eu lembro-me, exactamente, porque estamos aqui: o transiberiano. E isto. E isto que eu sempre imaginei. Posso regressar aqui no verao. Posso atravessar a Siberia, mas foi e sera aqui que eu senti o que e a Russia. O que sera a Siberia? O que me esperara no transiberiano?
Adormeci com aquela paisagem a correr a minha frente. Guardo-a para sempre dentro de mim. E esta a minha primeira etapa do transmongol.

Vladimir


Chegamos a Vladimir. Sao 8.03h. Os comboios russos nao atrasam nem um minuto. A funcionaria acorda-nos. Saimos. A rua que liga a estacao ao centro historico e um trilho de terra batida coberto por neve e gelo.. Subimos ate alcancar a estrada principal. A cidade de Vladimir remonta ao sec.XI, mas o seu apogeu deu-se nos sec.XII e XIII quando foi capital do principado de Vladimir-Suzdal. Hoje, ofuscada pela proximidade de Moscovo, continua a ser uma cidade interessantissima e por isso decidimos fazer aqui a nossa primeira paragem. A cidade esta rodeada de chamines industriais e a poluicao atmosferica lembra-nos que estamos numa das principais cidades industriais do pais. Ao que parece, Vladimir tem varias centrais quimicas e industrias de pneus, do periodo sovietico.

A cidade possui alguns icones de arquitectura medieval, como a Porta Dourada (porta de entrada na cidade), a Catedral da Assuncao ou a Catedral de S. Dimitry. Esta ultima, construida em calcarios apresenta baixos-relevos, a toda-a-volta, com cenas religiosas da igreja russa. Na Catedral da Assuncao entramos. Um sacerdote ortodoxo celebra uma cerimonia. Visto uma especie de saia e tapo a cabeca com o cachecol. As mulheres nao podem usar calcas nem a cabeca descoberta. Observamos a cerimonia por algum tempo.


Ha neve e gelo por toda a cidade. Esta frio mas o sol tenta espreitar. Do miradouro contemplamos o rio gelado e as casas de madeira cobertas de neve. Ja chegou a primavera. O degelo ja comecou mas, aqui, na parte central da Russia, as ruas ainda estao geladas e a neve amontoa-se nas estradas.
De regresso a estacao resolvemos embrenhar-nos um pouco numa ruela. As ruas estao esburacadas, os carros decrepitos, os passeios sao de terra e estao enlameados. Noutros locais a lama esta congelada. As casas, construidas de madeira, sao adornadas com varias cores que sobressaem no meio da neve. As igrejas ortodoxas, com abobadas coloridas, alegram esta paisagem gelida. A neve e o gelo dao a este pais o encanto merecido.
A Siberia fica para Este, mas aqui, em pleno mes de Abril, pode-se imaginar como sera o rigor do inverno.

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