San Petersburgo - O adeus

A noite russa e tremenda. Ate no hostel os "hospedes" se encontram alcoolizados! O frigorifico esta cheio de garrafas de vodka. Comida? Por aqui ninguem come! Tentamos deitar-nos cedo (pela uma da manha) mas o pessoal nao nos deixou dormir. Ja devia passar das 5 quando resolveram deitar-se. Claro que, as 7.30 o despertador toca e ninguem ouve!
O dia esta, novamente, encoberto. Hoje pensamos visitar Peterhof, a 50km de San Petersburgo. Este palacio debrucado sobre o mar Baltico foi mandado construir por Pedro, o grande. Infelizmente, a estas horas, ja nao foi possivel faze-lo. Resolvemos embrenhar-nos nas quentes estacoes de metro. Estaline mandou construir-las para serem os "palacios do povo" e como tal mereceram uma visita. Algumas sao autenticas obras de arte, com colunas, brasoes, etc. O simbolo comunista e uma constante. Terminamos na estacao de comboio da Finlandia (mas ainda na Russia!). Ai uma estatua de Lenine virada para o Neva lembra as glorias comunistas do passado. No entanto, parece que alguem nao gosta de lembrar o passado comunista da Russia. A estatua foi atingida por um explosivo no passado dia 1 de Abril. Agora encontra-se tapada por taipais de madeira, de forma a promover o seu restauro. Este "bombardeamento" e o tema mais quente destes dias em San Petersburgo. Percorrendo a parte sul da cidade acompanhamos os inumeros canais que fazem lembrar Estocolmo ou Amesterdao. As pontes decoradas ligam as ruas, e as grandes avenidas, praticamente intrasponiveis, fazem-nos dar grandes voltas para cruzar a estrada. A historia de San Petersburgo nao nos passou despercebida. Visitamos o Museu de Historia da cidade e acompanhamos os costumes e habitos dos seus cidadaos. A parte mais interessante do museu corresponde as salas onde estao representados os dias negros que San Petersburgo passou durante o cerco, na segunda guerra mundial. A cidade conseguiu nunca ser tomada pelos nazis e sobreviveu a tres anos de cerco, no entanto, a sua populacao quase que foi dizimada ou pela fome ou pela guerra. So no final da decada de 60-70 e que San Petersburgo viria a recuperar a sua populacao inicial. O museu retrata muito bem este periodo. Lamentavelmente, todas as legendas das fotografias estao em russo, o que foi um bocado penoso!De novo no hostel. Ja temos os bilhetes de comboio para Vladimir. A empregada do hostel tratou-nos de tudo. Foi super simpatica. Passaremos o fim de tarde "nalgum boteco russo" ate partirmos com destino a mais uma cidade imperial. Acho que a vodka vai ser para aquecer a viagem...
Afinal ficamos pelo hostel ate a hora do comboio. A Carla estava cansada (e verdade, acontece mesmo!) e ficou a actualizar o blog, mas eu tinha um assunto a resolver em Sao Petersburgo antes de me ir embora... Ainda nao tinha entrado na Igreja do Sangue Derramado e sentia que se nao o fizesse me ia arrepender... Assim fui la num instante, antes de irmos para a Moskba Vokzal, a estacao de caminhos de ferro onde iamos apanhar o comboio nocturno que nos levaria a Vladimir. E ainda bem que assim o fiz! O interior da igreja rivaliza em beleza com o seu exterior. Com a excepcao do chao, em marmore colorida, todas as outras superficies interiores da igreja (paredes, colunas, tectos) estao revestidos de mosaicos fabulosos retratando episodios famosos da vida de Cristo ou de outras partes da Biblia. Os mosaicos, que no exterior e no interior perfazem uma area total de 7000 metros quadrados(!), sao constituidos por milhares de pequenos pedacos de vidro (menos de 1 centimetro quadrado de area), vidro esse que tem nele misturado oxidos de metais, que lhes dao as cores belissimas e variadas que nos saltam a vista. ASSOMBROSO! O trabalho que isto deve ter dado... A igreja demorou 24 anos a ser construida (entre 1883 e 1907) e inicialmente tinha um estatuto ceremonial especial, pois nela apenas se realizavam os tributos a memoria de Alexandre II, mas apos a revolucao de 1917, foi fechada e transformada num armazem(!). Com o degelo (agora sim, politico!) do sistema sovietico, foi decidido restaurar o interior dos mosaicos, algo que se prolongou durante 27 anos(!). Em 1997, a igreja abriu as suas portas ao publico, mas (tal acontece ainda hoje com muitas outras igrejas nesta cidade) com estatuto oficial de museu e nao de local de devocao.

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